Quem toca em mim toca a ordem do universo!

por Albuquerque


Recentemente, o atual monsenhor Jo�o Cl� Dias, fundador dos Arautos do Evangelho e antigo secret�rio e bra�o direito de Plinio Corr�a de Oliveira, fundador da TFP, escreveu uma biografia daquele a que faz chamar de seu mestre. O mesmo mestre que durante quase duas d�cadas ficou apagado de sua vida p�blica, ressurgiu � e n�o da maneira que os Arautos gostariam, cheio de gl�ria desde o mundo dos mortos � , mas ressurgiu reabilitado na biografia do c�nego de Santa Maria Maior, o monsenhor. 

Deixando de lado as estranhezas que essa s�bita proje��o sobre a figura de Plinio nos causa por parte dos seus "filhos espirituais", este artigo surge para comentar um epis�dio da vida do fundador da TFP que marcou profundamente a din�mica de sua institui��o e, est� descrito pormenorizadamente na luxuosa biografia "O Dom De Sabedoria na Mente, Vida e Obra de Plinio Corr�a de Oliveira". Trata-se do acidente automobil�stico sofrido por Plinio na estrada que leva � cidade de Amparo, no interior de S�o Paulo em 1975.

No momento em que se d� o tr�gico acidente que o deixar� deficiente para o resto de sua vida, comprometendo suas habilidades, especialmente a de andar sem a ajuda de aparelhos ou cadeira de rodas, Plinio descansava no carro, a caminho da sede que havia na localidade de Amparo conhecida por �remo do Amparo de Nossa Senhora, onde prepararia um manifesto. Lamentavelmente, n�o concluiu sua viagem pois, numa curva, os carros do seu comboio em alta velocidade colidiram com um caminh�o e um �nibus, deixando alguns dos seus acompanhantes feridos e Plinio profundamente atingido pelo impacto do acidente, ficou em estado grave. 

O choque do impacto fez com que Plinio perdesse a consci�ncia ficando algum tempo com sua raz�o afetada. Sabemos bem que o subconsciente se manifesta de maneira clara em certos casos de acidentes em que a v�tima recebe um choque t�o grande quanto foi o recebido por Plinio. Afirma o autor na mencionada obra:

"...A essa altura ele j� voltara a si (chegando ao hospital), mas padecia tremendas dores, e o fort�ssimo golpe sofrido na cabe�a causara-lhe um trauma neurops�quico, privando-o da no��o integra e clara da realidade." (DIAS, Jo�o Cl�. p 493).

No momento em que chega ao hospital de Amparo, carregado em macas pelos m�dicos e sentindo dores, Plinio diz:

" - Cuidado! Pois quem toca em mim toca a ordem do universo!" Era, sem d�vida, a voz da semiconsci�ncia, mas, sobretudo a voz da inoc�ncia afirmando uma grande verdade" (DIAS, Jo�o Cl�, p.495).



Seria a voz da semiconsci�ncia ou do inconsciente de Plinio manifestando o que ele pensava de si mesmo? 

O atual monsenhor Jo�o Cl�, doutor pelo Angelicum, poderia nos explicar essa rela��o entre a pessoa de Plinio com a ordem do universo? 

Teria o seu mestre uma esp�cie de pneuma divino? N�o seria isso uma afirma��o com um forte odor de gnose?

Se no seu inconsciente ou semiconsci�ncia, como preferem seus disc�pulos, o homem que se fazia chamar de "o inocente" se considerava a pr�pria ordem do universo, em alguns momentos, onde supomos estar ele dotado de dom�nio da sua consci�ncia, afirma sobre sua pr�pria grandeza, seu papel t�o importante considerado pelos seus filhos espirituais, se n�o seria uma "megalice", tudo fruto da pr�pria imagina��o a respeito de si mesmo. (Minha Biografia �ntima, p. 5)

Ser� que dentre as consultas frequentes do ent�o secret�rio Jo�o Cl� aos te�logos de renome como padre Royo Mar�n e Victorino Rodriguez ele chegou a consultar at� em que ponto essa afirma��o de seu mestre estava de acordo com a doutrina cat�lica? E como chegou Plinio a concluir de si mesmo este papel t�o fundamental? 

Que nos responda o monsenhor ou nos respondam as autoridades competentes.

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*DIAS, Jo�o Cl�. O Dom de Sabedoria na Mente, Vida e Obra de Plinio Corr�a de Oliveira, vol. 4, Instituto Lumen Sapientiae, S�o Paulo, 2016.

*(OLIVEIRA, Plinio Corr�a de. O Reino de Maria na alma do Senhor Doutor Plinio: "Minha Biografia �ntima", Sagrado Cora��o de Jesus � XXIX � curso de forma��o S�o Bento � Praesto Sum - Sa�de, p. 5)




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