El impacto del colegio en la vida de Plinio

Introducci�n: Plinio Correa de Oliveira cuenta como sus experiencias escolares moldearon su personalidad y su futuro. Palabras reproducidas en el compendio "O Que Somos Nos", un trabajo de circulaci�n interna explicando la vocaci�n de la TFP y su fundador.


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Lejos de la "molecagem"

Eu nasci da conjun��o de duas fam�lias semi-contra-revolucion�rias, trazendo, tanto da parte de meu pai como de minha m�e, uma heran�a cat�lica geral, mas um pouco mais fervorosa e mais s�ria do que o comum, e uma heran�a mon�rquico-liberal, mas liberal mesmo, sem nada de ultramontano.

Eu formei meu esp�rito nesse ambiente e entrei muito cedo no col�gio, onde tive o contato com o mundo moderno. Embora fosse muito menino ainda, com 10 anos de idade, eu tive um choque enorme no contato com esse mundo, porque eu percebi a diferen�a que havia entre o esp�rito de minha fam�lia e o esp�rito que dominava os meus colegas do col�gio, que eram de fam�lias mais avan�adas no processo revolucion�rio.

E esses meninos, como filhos dessas fam�lias, eram mais avan�ados ainda que os pais. De maneira que, entre eles e eu havia, por um fen�meno de gera��es, uma defasagem de uma gera��o inteira. Da� o meu choque com eles ser muito brusco.

S. Tom�s diz que todo ser de natureza intermedi�ria, visto de um extremo, se parece com o outro. Por exemplo, olhando um mulato o preto o acha branco, e o branco o acha negro. � natural. E isto se deu comigo. Minha fam�lia, que era intermedi�ria e ideologicamente mulata, vista do Col�gio, parecia um prod�gio de ordem, de compostura, de distin��o, de boas maneira, de seriedade, de dec�ncia, de religi�o.

Ent�o, vi nela uma s�rie de valores de que ela era portadora sem ter consci�ncia disso, e fui, aos poucos, com reflex�o, etc., etc., cristalizando uma oposi��o ao ambiente do col�gio.

Cada um nasce de um jeito. Eu nasci e sou muito cerimonioso, por natureza. Detesto intimidades triviais, brincadeiras, etc. A coisas desse g�nero, meu temperamento tem horror. Sou profundamente cerimonioso, por natureza.

Depois, minha m�e, muito doente, entregou grande parte de minha educa��o a uma fraulein alem� da Baviera, que me abriu as portas [da imagina��o para] a Corte europeia. Meu natural, muito �vido e apto a isso, penetrou nesse inteiramente pal�cio .

De repente, chego ao col�gio... s�o aqueles meninos americanizados, malandros, acanalhados, etc., etc. E me chamava muito a aten��o que, os de maneiras mais vulgares, eram tamb�m os mais porcos.

E formou-se bem, no meu esp�rito, que a impureza era uma forma de trivialidade e de malandragem.

Ent�o, impureza, impiedade, malandragem e trivialidade passaram a ser aspectos de um mesmo estado de abje��o, de desordem, de sord�cie, que me repugnava inteiramente e com o qual eu entrei em luta.

Pelas tantas, aconteceu que caiu sobre minha cabe�a isso assim: logo no meu primeiro ano de col�gio um tio meu morreu. E, por ter o mesmo sobrenome, n�o sei... Os padres chegaram na aula e disseram para cada turma: "Morreu um grande inimigo da Igreja, Fulano de tal". Naturalmente corria o zum-zum, ca�oadas, etc., etc... E eu, querendo dominar a onda com uma atitude violenta...

A coisa foi t�o longe que at� os moleques da rua me agrediram. Como um menino � capaz de fazer, eu endureci tremendamente minha posi��o contra tudo isso que se me apresentava como a boca do inferno.

Na �poca, no recreio, discutia-se um pouco o assunto molecagem-n�o-molecagem. Os alunos mais moleques eram os mais porcos, os mais vulgares, os mais sem f�. Na minha cabe�a de menino se apresentava a alternativa: minha fam�lia � o lugar da ordem, � a "Cidade de Deus" (depois eu verifiquei como isto era falso!!!), onde havia a F� Cat�lica.

Minha m�e -- uma pessoa que venero profundamente mas que era liberal -- antes de n�s aprendermos a falar papai e mam�e, ensinou-nos a mostrar onde estava a imagem do Cora��o de Jesus.

Ent�o, minha casa era "o lugar da religi�o, da f�, da n�o-molecagem, da pureza" (porque as porcarias que eles faziam n�o contavam diante de mim, de maneira que pensava que n�o as havia), e era o lugar "das boas maneiras, da boa educa��o". Em casa havia muita cultura francesa, falava-se o franc�s, o que dava um certo tonus franc�s ao ambiente da casa.

Pelo contr�rio, no col�gio, tudo aquilo me parecia uma esp�cie de "Cidade do dem�nio", porque eram moleques, porcos, vulgares e sem f�. Eram o mundo moderno.

N�o sei se os Srs. est�o vendo um rudimento da R-CR nesses nexos de quantidade afins entre si, e irrevogavelmente contr�rias umas �s outras numa luta que domina a vida.

Antes mesmo de come�ar a tomar o h�bito da leitura, eu fazia longas divaga��es, muito longas. Depois comecei a ler livros de pol�tica internacional, de hist�ria, etc., para compreender o que � que estes valores tinham de comum, de um lado e doutro, para explicar-me a mim mesmo o fundo daquilo que era o "meu caso", mas que eu percebia que era o caso do mundo .

De onde eu perceber a trai��o de minha fam�lia aos ideais que ela parecia ter.

Tirando mam�e, e assim mesmo descontando nela o aspecto liberal, eu perdi a f� na minha fam�lia.

Mas restava-me a verdadeira Cidade de Deus, a Santa Igreja Cat�lica Apost�lica Romana, minha M�e verdadeira.

Porque eu tinha come�ado a prestar aten��o e a entender que a Religi�o Cat�lica era n�o s� a doutrina que justificava as verdades que eu queria defender, mas era a fonte de energia e de vida segundo a qual se tinha esse esp�rito. E passei a transferir para a Religi�o Cat�lica todo o meu amor, toda a minha confian�a, todo o meu entusiasmo, centralizando tudo isso no clero.

Ent�o, uma venera��o pelos sacerdotes, pelos bispos. Pelo Santo Padre, nem se fala, uma venera��o, n�o sei, indiz�vel, verdadeiramente inexprim�vel. Posteriormente, eu percebi tamb�m a defec��o neste campo.

Ent�o, o que que restou? Restou a Santa Igreja Cat�lica Apost�lica Romana, minha M�e verdadeira, tra�da, abandonada, perseguida. Minha M�e! Eu preferia cair morto aqui a deixar de crer de leve que s� Ela � minha M�e ador�vel! Mas o clero, na quase totalidade de seus membros...

Ao longo desse trabalho ideol�gico nasceu a RCR e a TFP, pois suas ideias se transferiram aos disc�pulos. Ao longo deste trabalho de destila��o ideol�gica, nasceu a R-CR, os nossos livros. E, para abreviar, o Movimento.

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