A cavalaria, o Grupo e a nobreza

Palabras de Plinio Correa de Oliveira, en una reuni�n "MNF" del 31 de julio 1961.



A cavalaria, o Grupo e a nobreza. Os legados hist�ricos da cavalaria

Estivemos estudando os problemas atinentes � cavalaria. Vou enumerar a mat�ria na ordem em que foi dada.

Foi formulada a pergunta: qual a rela��o entre o movimento do tipo do nosso e o ideal de cavalaria medieval?

Poder-se- ia distinguir aqui v�rias coisas: 1) que coisa � o ideal de varonilidade, como pode ele ser visto num tratado de moral, isto �, considerado em abstrato? 2) outra coisa �, como essa varonilidade foi conhecida e praticada pelo homem medieval e tudo quanto teve de concreto; 3) outra coisa � algo que o homem medieval teve e que era para ser um legado para as outras �pocas e algo que, de fato, era muito circunstanciado �quela �poca e que n�o deveria sobreviver.

Compreendemos que a rela��o que h� entre esses valores concretos e perenes da cavalaria e o tratado de moral � uma rela��o que d� ao fato concreto uma certa riqueza a mais que a pura abstra��o tinha, e que � algo que representa um legado hist�rico que devemos n�s mesmos assumir.

E por qu�? Porque, por uma s�rie de raz�es hist�ricas, todo o legado medieval n�o morreu; est� quase liquidado, mas n�o morreu. N�s consideramos que ele deve sobreviver para a funda��o do Reino de Maria, pela mesma raz�o pela qual a nobreza hist�rica do ocidente deve sobreviver no Reinado de Maria, e pela mesma raz�o pela qual a nobreza brasileira, na maneira pela qual os acontecimentos, sobrevive tamb�m no Reinado de Maria.

Tratava-se, ent�o, de saber quais s�o esses valores hist�ricos, para n�s os salvarmos.

A compara��o entre o cavaleiro medieval e o guerreiro romano

Fizemos uma compara��o -- para melhor estudo -- entre o cavaleiro e o guerreiro romano. Tomando o guerreiro romano, como a escultura antiga o fixou, apresenta ele tra�os profundamente diferentes do cavaleiro medieval. O guerreiro romano �, ao mesmo tempo, um patriarca e um fil�sofo e tamb�m um guerreiro.

� apresentado pensativo como um fil�sofo, com toda a amplitude de personalidade de um patriarca, v�-se que s�o essas qualidades de patriarca e fil�sofo que ele introduz no sistema de combater. Da�, no general romano, algo de s�lido, est�vel, met�dico, n�o s� na organiza��o das tropas como no pr�prio modo de combater, de avan�ar, na estrat�gia, etc. E, coisa curiosa, por causa disso mesmo, o hero�smo individual n�o representando habitualmente um papel t�o grande quanto na batalha do guerreiro medieval, em que o hero�smo individual era quase tudo, porque n�o se aplicava o sistema da falange.

O guerreiro medieval n�o � um fil�sofo, mas, antes de tudo, est� imerso na luz da teologia; o grande valor dele n�o consiste em pensar muito, mas em amar muito; ele ama os valores que a teologia lhe apresenta. Ele n�o � um patriarca; fica-lhe bem ser casado e chefe de fam�lia; mas ainda melhor lhe fica a castidade perfeita. � por isto que na �rvore frut�fera da cavalaria desabrochou um s� flor, que foi Santa Joana D�Arc. Mas, esta flor � a flor por excel�ncia, � a virgem por excel�ncia -- com exclus�o de Nossa Senhora -- a virgem guerreira. Isto mostra como a virgindade, a castidade perfeita � o que fica melhor ao cavaleiro.

Depois h� uma mobilidade desconcertante no cavaleiro; ele se move, d� lances, volta-se, etc., tudo diferente da metodiza��o, gravidade e estabilidade do cavaleiro romano. Poder�amos dizer que se o touro � o s�mbolo do cavaleiro romano, a �guia � o s�mbolo do cavaleiro medieval.

Essa distin��o comporta um coment�rio: notamos algo de especificamente superior no cavaleiro medieval, por tudo quanto ele simboliza e representa, sobre o guerreiro romano; mais ou menos como a gra�a � superior � natureza e como a virgindade � superior � paternidade.

Defini��o da id�ia de nobreza

Essa superioridade pede uma explica��o para ser mais compreendida. Esta especifica��o liga-se � id�ia de nobreza. Definimos aqui, pela primeira vez e de um modo inteiramente satisfat�rio, a id�ia de nobreza.

Qual o conceito de nobreza? N�o se trata aqui ainda de definir a classe nobre, mas de definir o predicado de ser nobre de algo. Portanto, a nobreza do nobre, mas tamb�m a nobreza que a seda tem sobre a chita, a nobreza de um patriarca em rela��o a um pai que tem um s� filho, etc., em tudo aquilo que se diz nobre, o que significa essa nobreza.

No ouro e na prata diz-se nobres pelo fato de, de um lado eles serem incorrupt�veis, e de outro lado, deles simbolizarem por sua cor certa super-excel�ncia das qualidades da alma. A incorruptibilidade � algo da mat�ria que transcende � mat�ria.

Essa incorruptibilidade, restrita e limitada, da prata e do ouro, � uma imagem de uma propriedade que � do esp�rito. Esses metais s�o nobres porque apresentam uma qualidade que lhes d� apar�ncia de pertencerem a uma categoria superior. A nobreza de uma coisa � sempre quando ela apresenta uma qualidade em grau t�o relevante que ela parece pertencer a uma categoria superior.

Isto que se diz do ouro e da prata, pode-se dizer de outras qualidades, na medida em que elas atingem uma sublimidade que faz delas uma imagem particularmente pr�xima, eloquente, expressiva de Deus. H� uma nobreza inerente ao jatob�, que vive duzentos, trezentos anos, que � grande, forte, esplendido, cuja madeira n�o pode ser quebrada; h� uma for�a dentro dessa longevidade e dessa riqueza, que � algo de sublime no g�nero e que no g�nero � uma imagem eloquente e expressiva daquilo que � Deus. Nisto o jatob� � nobre em rela��o a um arbusto reles.

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