Bocherini, Fujiyama, Luis II de Baviera, Flashes y m�s!

Introducci�n: Comparto con Uds. una transcripci�n con comentarios de Plinio Correa de Oliveira sobre el Minu� de Bocherini. Conversaci�n en el c�rculo de personas denominadas "�remo del V�nculo Prof�tico". Estas palabras son del a�o 1974, aproximadamente. No tengo la fecha exacta.

Muchas reuniones de Plinio eran as�. Se tocaban temas de historia, de cultura, o lo que sea de forma bastante libre, pero siempre con una interpretaci�n o explicaci�n "contra-revolucionaria" subyacente.

Plinio era un gran conversador cuando quer�a serlo, y su personalidad pod�a ser muy atractiva, sobretodo cuando reci�n se lo conoc�a. Tambi�n hay que mencionar que en el Plinio anterior al accidente automovil�stico de 1975, las semillas del profetismo, el narcisismo y la constante adulaci�n de sus seguidores (constantemente animada por Joao Cla Dias) no hab�an florecido del todo.

Este Plinio es muchas veces m�s interesante y "rescatable" que el que se fue manifestando con el pasar de los a�os.

Enjoy!

* * *




* O Sr. Dr. Plinio faz todos imaginarem como seria o Minueto de Bocherini � que n�o � "um minueto", mas "o minueto" � dan�ado em Versailles perante o Rei

Eu n�o chegaria a dizer que a teoria que eu dou � v�lida para qualquer minueto. Talvez seja, mas eu n�o ouvi assim com um senso cr�tico um n�mero suficiente de minuetos e n�o tive tempo suficiente para pensar bastante sobre a quest�o para fazer uma afirma��o gen�rica quanto aos minuetos.

Mas ao menos quanto ao minueto de Bocherini, que para mim � "o minueto" � nenhum � minueto como o de Bocherini, ele � "o minueto" � o minueto de Bocherini tem qualquer coisa no sentido de uma revista. N�o � nem um pouco uma revista de tropa, mas � uma revista. Em que sentido uma revista?

Quer dizer, n�s devemos imaginar uma sala de corte, o rei e a rainha nos seus tronos, os pr�ncipes e as princesas da Casa Real em poltronas, os duques e pares � t�o caros a Saint-Simon � em poltronas e tabour�s sucessivamente, os pr�ncipes em poltronas e os duques em tabour�s; e devemos imaginar como se fazia o minueto em Versailles, com a Galeria dos Espelhos, de um lado e outro, com arquibancadas com pessoas da nobreza ou da alta burguesia de Paris postas para verem dan�ar o minueto.


E ent�o entrarem os pares vindos, digamos, do fundo da sala ou de uma sala ao lado, entrarem dan�ando o minueto, fazendo rever�ncias uns para os outros, fazendo a rever�ncia diante do rei quando passavam diante do rei, e circulando de novo. Era a corte, celebrando um ato, que era um ato � se quiserem � l�dico. Quer dizer, um jogo, um ato l�dico � n�o � l�brico, entendam bem � um ato l�dico no qual as pessoas eram passadas em revista no seu charme, no seu esplendor, na sua maior gra�a, na sua maior beleza, para a corte ter a fisionomia de si mesma, e deleitar-se com "ser" aquilo. Bem, isso era propriamente o minueto.

� preciso notar que esses minuetos, muitas vezes, eram altamente hierarquizados: em tal momento o Duque de Sagan faz tal cumprimento para Madame la Princesse La Roche Bruyon, e l� vai aquela coisa. E mais adiante Madame la Princesse La Roche Bruyon faz tal cumprimento assim para o Duque la Rochefoucauld. Isso se espalha, a reciprocidade dos cumprimentos se multiplica como uma harmonia pela sala indicando uma harmonia de rela��es sociais � e uma harmonia hier�rquica, porque harmonia quer dizer hierarquia � juntamente com a harmonia dos gestos, harmonia das atitudes, a beleza dos trajes, o esplendor das j�ias, a nobreza das express�es fision�micas, dos sorrisos, etc., etc.

Bem, seria um pouco como um ex�rcito que precisa organizar uma grande revista para ver-se a si pr�prio. E o ver-se a si pr�prio, nesse sentido � n�o � como o de um homem faceiro e sobretudo uma mulher faceira que olha no espelho para ficar mega consigo � � o conhecer a sua pr�pria face para ver que perfei��o Deus p�s nessa face, e amar a Deus em si. Isso � um alto grau de tomar consci�ncia de si, e � uma coisa que no fundo tem um sentido religioso.


* O minueto perfeito teria o esplendor de uma verdadeira cerim�nia da corte, a gra�a de uma afabilidade, de um sorriso, de uma concep��o amena da vida que fosse contrapeso do esplendor

Agora, nesse estado de esp�rito, na situa��o cultural, etc., etc., do tempo do minueto, havia uma necessidade de fazer as coisas com muita solenidade, mas uma verdadeira necessidade de compensar essa solenidade com muita gra�a, com muito charme. E o minueto perfeito seria o que reunisse o esplendor de uma verdadeira cerim�nia de corte, com a gra�a de uma intimidade, de uma afabilidade � a palavra intimidade n�o est� bem escolhida � de uma afabilidade, de um sorriso, de uma concep��o amena da vida que fosse o contrapeso do grande esplendor a que a vida tinha chegado, porque a vida tinha chegado a um tal, tal esplendor que massacrava o homem se ele n�o tivesse esse complemento.

E Watteau era n�o um corretivo, mas o contr�rio, o oposto harm�nico da majestade introduzida por Lu�s XIV em todas as coisas e que em muit�ssimos pontos Lu�s XV e Lu�s XVI evidentemente continuaram.

Ent�o a gente v� a coexist�ncia de uma grande seriedade, e depois, de um sorriso, mas de um sorriso profundamente s�rio, porque � um sorriso de quem sabe quem �, e que do alto daquilo que �, por gentileza e bondade sorri como quem diz: "eu sou tudo isto, e � tudo isto que sorri para voc�". N�o �, portanto, o sorriso do peralvilho que anda pela rua � eu escolho a palavra porque ela diz bem o que eu quero e, jeitosamente, somos todos jeitosos aqui, eu n�o preciso explicar o que � a palavra porque todos entenderam o que � o "peralvilho" � o peralvilho que anda pela rua e de repente v� um cachorrinho engra�adinho e "ahhhh"...

N�o � o sorriso do peralvilho, n�o, mas � o sorriso de quem sabe que � tanta coisa, que sorrindo faz um ato de bondade, e que oscula aquilo a que sorri como uma esp�cie de comunica��o de todos os esplendores que tem dentro de si. Vamos dizer, por exemplo...

(...)

... quando se entende que � o sorriso, � o sorriso do homem, nem h� homens, do senhor ou da senhora, que, segundo a express�o muito interessante de Saint-Simon, se sant, quer dizer, sente-se [do verbo sentir]. Saint-Simon quando queria elogiar uma pessoa que tinha muito o senso da dignidade, ele dizia "ele se sentia muito", quer dizer, ele sentia muito em si o que ele era, e a respeitabilidade do que era. De onde o minueto, assim entendido, ser a m�sica do respeito.

E � o meu gosto pelo minueto. O respeito est� na grandeza, e depois, o respeito est� no afeto, no carinho, no sorriso, do mesmo modo. Percorre de ponta a ponta a gama dos poss�veis sentimentos humanos. E isto forma do minueto uma obra-prima.

Eu n�o sei se esta teoria do minueto est� bem compreendida ou n�o. Bem, para que eu acabe de a tornar clara, � preciso notar bem isto: o minueto n�o � tanto uma dan�a � n�o � um pula-pula ign�bil de nossos dias, bem entendido � mas tamb�m n�o � tanto uma dan�a quanto falanges ou ondas vaporosas e perfumadas de gente que vai avan�ando ao longo de uma galeria vazia, e seguidas ent�o de outros.

Ent�o, para ouvir o minueto de Bocherini, os senhores t�m que imaginar a Galeria dos Espelhos vazia, e no fundo os primeiros grupos se formando e avan�ando... eu quase diria "em cord�o", mas em cord�o de oito, de dez ou de quinze, fazendo piruetas uns para os outros, etc., e caminhando at� o rei. Chegando diante do rei, fazendo uma profunda rever�ncia, e depois virando e deixando lugar para outros. Quer dizer, a marcha progressiva est� presente no minueto. E um pouco desta atitude do respeito feudal diante do rei, um pouco de quem diz "senhor, vede quem eu sou, eu me sinto, eu sou uma alta emana��o de v�s mesmo" e um pouco de s�dito que faz diante do rei uma profunda rever�ncia. As duas coisas existem juntas no minueto, e s�o um outro tra�o da gra�a do minueto, mais vis�vel em Bocherini do que em todos os outros minuetos que eu conhe�o.

Bem, isto seria a digress�o sobre os minuetos. N�o sei se querem me objetar alguma coisa, perguntar...


* O Sr. Dr. Plinio faz coment�rios sobre duas diferentes grava��es do Minueto de Bocherini

[audi��o do minueto de Bocherini]

Notem que est� indo para a frente, n�o? E cada vez mais alto, porque est� chegando diante do rei.

Do ponto de vista estritamente musical, essa interpreta��o � uma verdadeira maravilha de leveza, de gra�a, etc., mas n�o interpreta perfeitamente o esp�rito do minueto de Bocherini. O esp�rito � mais espanholado do que est� aqui, isto est� muito afrancesado... e era preciso talvez pensar mais em espanh�is do que em franceses dan�ando para compreender o que � que ele p�s na coisa. Para ilustrar um pouco a coisa, eu n�o tenho rem�dio sen�o tentar cantarolar com minha voz j� desafinada, e o desafinamento agravado pela rouquid�o com que estou. [O Senhor Doutor Plinio cantarola o minueto de Bocherini]

Quer dizer, � sempre uma nota grave e altiva que se desfaz no sorriso e n�o � tanto a continuidade realmente muito harmoniosa e muito bonita posta aqui. Quer dizer: para quem quer fazer m�sica, isto �, no g�nero, uma obra-prima, mas para quem quer fazer sociologia a coisa � diferente da m�sica.

Ent�o, me perdoem o desafinamento, mas eu vou p�r a coisa altiva [O Senhor Doutor Plinio cantarola o minueto de Bocherini] e n�o � t�o corrido. H� sempre um intervalozinho entre cada nota. Quando chegou ao �ltimo do harmonioso, retoma o tema inicial. A gente v� a duquesa com o plumete com o esplendor dos escudos que se reergue do sorriso mais duquesa do que nunca. Eu n�o sei se nessa cantarolada horrorosa eu exprimo bem o vai e vem.

Aqui estaria este minueto que daria uma interpreta��o da harmonia, da cultura daquele tempo, feita exatamente de alta distin��o e grande suavidade. Eu considero que um minueto que fosse tocado assim interpretaria a meu ver o tempo para o qual Bocherini tocou, e o lugar. Porque ent�o a gente precisa imaginar um nobre espanhol alumbrado com o olho preto aceso, e que vem avan�ando, pegando na senhora duquesa por la mano, e a toma � direita, e ela tamb�m � uma senhora das ilhas e das situa��es, est� compreendendo... e que v�m avan�ando os dois na presen�a do rei.

O rei cat�lico, no seu trono, olhando firme, e sorrindo enquanto a coisa se desfaz numa gentileza assim. E que tanta gentileza contenha tanta majestade, e tanta majestade contenha tanta gentileza, aqui est� o equil�brio. Mas esse � o equil�brio que eu quisera que as coisas da nossa roda tivessem. Bem, e que eu acho que � ainda muito mais alto em S�o Lu�s.

Quer dizer: n�s temos que imaginar, ent�o, no tempo da Idade M�dia, uma dan�a desse tipo dan�ada por aquelas senhoras que usavam aqueles chap�us c�nicos, altivos, dos quais pendiam v�us vindos do oriente e lev�ssimos, que qualquer brisa punha em movimento. Chap�us que eram mais ou menos como a sabedoria, quer dizer, um reflexo aqui atr�s da cabe�a, e depois aquele v�u que desce. E os nobres com armadura, quase dan�ando de armadura e jogando com a espada.

A� a gente compreenderia ainda melhor quais s�o as ra�zes psicol�gicas, morais e culturais de um minueto, imaginando um super-minueto medieval.

(Sr. -: Essa grava��o foi tocada por um quarteto italiano muito famoso chamado "Quarteto Italiano". Agora, aqui est� uma outra grava��o [audi��o da nova interpreta��o])

Essa interpreta��o tem mais, mas n�o tem tudo o que poderia ter. Mas � um pouco plangente, deveria ser mais afirmativo.

(Sr. -: Tem uma nota meio cigana, n�o �?)

�. E um pouco sentimental, chorosa. H� um pouco de lambida rom�ntica dentro disso. Todos eles procuram dar ao minueto o ritmo de cavalinho cavalgando, e � falso, n�o � isso: � fidalgo andando, progredindo... assim mesmo � muito bonito, muito bonito!

(...)

... porque � quase ucranizado que n�s dever�amos considerar aquele coment�rio que n�s fizemos do lil�s e do azul, n�o sei se lembram?

(Sr. -: Na perspectiva do Bocherini?)

Que n�s devemos focalizar aquele coment�rio que n�s fizemos outro dia a respeito do lil�s e do azul.

(...)

... esta � a coisa que resta, e n�s somos o resto antes de tudo e acima de tudo, porque no ponto central de nossa alma n�s amamos essas coisas como elas deveriam ser. E, portanto, � uma tradi��o daqueles tempos que v�m at� n�s e que em n�s vive. E n�s somos o futuro.

E eu n�o sei se percebem que no momento em que n�s falamos entra uma certa a��o da gra�a � n�o sei se percebem que h� uma certa a��o da gra�a aqui na sala. Esta gra�a, que � uma coisa toda interior, � um fen�meno por onde Nossa Senhora nos diz "Meus filhos, sede assim! Assim � que se deve ser. Assim � a coisa", etc., etc. Essa �, vamos dizer, a hora em que os sinos adormecidos de nossa voca��o tocam no fundo de n�s mesmos e em que n�s nos sentimos inteiramente n�s mesmos.


* A pessoa que quisesse ser s�ria e inteiramente fiel deve ter sinos tocando dentro da alma, e come�ar a se desinteressar pelas coisas que n�o merecem interesse

Ent�o, se uma pessoa quisesse inteiramente ser s�ria e inteiramente ser fiel, era ela o tempo inteiro ter dentro de si sinos desses tocando. Da� come�a a se desinteressar pelas coisas que n�o merecem interesse. Por exemplo, encosta num posto um novo caminh�o de gasolina para abastecer o posto, e perguntar se � fabrica��o europ�ia ou nacional... onde � que foi fabricado, etc., ou ent�o coment�rios nhonh�s sobre o mau cheiro da gasolina, que eu at� comento �s vezes, mas com a alma posta em outr�ssimo diapas�o, estavelmente, fixamente. A gente tem que morar num outro lugar, aqui � que est� a quest�o.

Ent�o, � pena eu n�o ter o cart�o postal que me mostraram hoje cedo do Fujiyama que � o cone mais bonito do mundo, e � o cone que n�o existe, e que � uma esp�cie de ponto et�reo e n�o defin�vel no qual todas as belezas do Fujiyama e de todos os cones se concentram � � essa a tal zona de alma onde o homem deve morar, fixamente, para se aproximar de Deus.

E considerar um ex�lio cada vez que ele tem que descer para o concreto porque o concreto n�o � o auge da realidade. O auge da realidade � o tal cone. E � quando a gente mora fixamente nesse lugar � que a gente pode tratar todas as coisas que acontecem como coisinhas vistas, n�o � do alto do monte, mas do alto de uma mera ordem de ser.

Ent�o, n�o sei... a gente tem que comprar um rel�gio, pensa um pouco, compra o rel�gio adequado e est� acabado. Mas n�o s�o os longos apegos, filosofias, etc., etc., "o meu pulso, que largura tem o meu pulso, tal rel�gio ficar� bem no meu pulso"... e outras besteiradas desse g�nero, est� compreendendo? Pelo contr�rio, a pessoa deixa, e o esp�rito fica nessa atmosfera Bocherini das coisas, ou nessa esfera "cones do Fujiyama" das coisas.


* A grande beleza do g�tico n�o � o que se v� nos �lbuns, mas sim uma como que qualquer coisa que paira por cima do g�tico

E a grande beleza do g�tico, n�o � no que d�o os �lbuns, mas � qualquer coisa que paira por cima do g�tico e que � o cone Fujiyama do g�tico e � diante do qual n�s nos extasiamos. Por exemplo, entrando na Catedral de Notre Dame, o que ela tem de mais bonito n�o � a parte constru�da: � uma parte n�o constru�da que constitui uma esp�cie de complemento a�reo por cima dela e que vagamente n�s intu�mos, e de que aquela flecha, atr�s, � que � genial, � do Violet le Duc, mas � genial � d� uma certa no��o. A gente olha para aquelas duas torres: "colosso"! � o real.

Depois, por detr�s, aquela flecha fina, esguia, � o irreal. O irreal, entre aspas, porque � o auge da realidade. Ent�o, a gente v� aquelas duas torres, e delas se destila, num ponto indefinido, algo de muito gracioso e superior, firme como uma ponta de lan�a, mas delicada como um sonho. � ali que o melhor da catedral de Notre Dame se p�e.

Agora, eu n�o sei se a massa das pessoas que p�ra diante da Catedral de Notre Dameforma para si essa id�ia. Bem, essa id�ia fica meio confusa no esp�rito delas, mas t�o confusa que elas n�o prestam aten��o e n�o aproveitam nada. O resultado � o seguinte: saem de l�...

(...)

... Bocherini, Fujiyama, digamos, portanto, alta contempla��o, ou a vida n�o � nada. � o que o Rei Lu�s II, da Baviera, quis fazer foi construir isso. Ele ter� sido mais feliz ou menos feliz, mas ele pelo menos teve o golpe de g�nio de ter constru�do isso. E isso � uma maravilha.

(Sr. -: Aquele barco de cristal puxado por cisnes.)

(Sr. -: Tren� dourado no meio da neve.)

Tren� dourado no meio da neve, est� compreendendo, no qual vai o Rei da Baviera, o descendente dos Wittelsbach, bem, tudo isto s�o "bocherin�adas" que, vamos dizer, o Garcia Moreno n�o � o Presidente da Rep�blica do Equador, apenas. Ele o foi, e dignificou o cargo. Mas, sobretudo, o que ele foi, foi o "Bocherini" do Equador, o equatoriano ideal e perfeito no qual se resume e condensam todos os equatorianos que deveriam ter correspondido ou que algum dia corresponder�o � voca��o.

Ent�o, toda a hist�ria tem seus homens "Bocherini", tem suas damas "Bocherini", vamos dizer, at� a cabanazinha do campon�s que a gente imita no doce de Natal com p�o de mel e com glac� de a��car, at� isto � algo de fabuloso, de "bocherin�aco" no g�nero plebeu e campon�s. E � sempre com o esp�rito voltado para essas coisas que a gente vive.

(Sr. -: Seria a idealiza��o, a coisa como que vista atrav�s dos olhos de Deus, no seu aspecto mais nobre.)

Isso.

(Sr. -: Aquela flecha de Notre Dame, aquilo � a alma de Notre Dame, o resto � o corpo. A gente v� naquela flecha como que uma coisa meio et�rea pela qual a gente v� a alma daquela catedral.)

� uma coisa que se chamaria irreal, mas que � o auge da realidade.

(Sr. -: Desse ponto de vista, n�s afirmamos que o irreal � o auge da realidade.)

E n�o � inteiramente homem e n�o se realizou aquele que n�o comunicou aos homens o aspecto Bocherini de uma alma, porque a gente se realizar, � ter destilado dentro de si o aspecto Bocherini da pr�pria alma, e fazer os outros sentirem. Isso � realizar-se.

Imaginem que a Catedral de Notre Dame fosse um ente vivo, que tivesse crescido em todas as dire��es, mas no qual n�o tivesse crescido a flecha. N�o estava realizado. Ora, todos n�s temos uma flecha que os outros deveriam ver.

(Sr. -: � a perfei��o de Deus da qual n�s somos pr�ncipes herdeiros, n�o �?)

Pr�ncipe Herdeiro e si pr�prio. Todos n�s temos essa flecha, e todos n�s dever�amos fazer ver isso pelos outros, desde o mais humilde dos homens, at� o efetivo pr�ncipe herdeiro no pa�s que o tivesse. Mas assim � que as pessoas deveriam ser.

(...)

... sabem que a mim me distrai mais tratar disto do que fazer uma viagem, por exemplo. Se me oferecessem agora "quer ir a uma cidade do interior assistir tal coisa?", eu prefiro isto. Aqui a minha alma se expande, eu tenho a esperan�a que a alma dos senhores se expandam tamb�m, pelo menos um tanto, assim n�s vivemos.


* A matriz do flash � algo de irreal, que a alma imagina, e que nunca existiu e nem deve existir, e que transcende at� mesmo a id�ia do que � o mundo dos Anjos na Cria��o

(Sr. -: O que se convencionou chamar de matriz de flashes em outras reuni�es, corresponde a essa moradia ou a esse lugar da alma?)

N�o. Isso � o flash. A matriz de flash � algo de irreal, que a alma imagina, e que nunca existiu, e que nem deve existir, e que � a id�ia que ela faz t�o idealizada das coisas, que corresponde ao que � o mundo dos Anjos na Cria��o. Transcende ainda a isso. E n�s somos os convidados a morar no flash e na matriz de flash. E aquele olhar de Santa Teresinha, para mim, � um olhar fabuloso porque nele se refletem flashes e matrizes de flashes indiz�veis. Vou dizer mais, hein?! Matriz de flashes em estado puro do que flash propriamente dito.

[Coment�rio da fotografia de Santa Teresinha ajoelhada ao lado de uma cruz, com um livro na m�o]

N�o sei se percebem que ela, no fundo, � s� olhar, porque aquilo � s� olhar. E que nesse olhar ela est� vendo qualquer coisa de uma eleva��o, de uma beleza suprema, e de uma grandeza, em que ela se perde completamente. O olhar dela tem o charme de todos os minuetos, tem a gra�a de todas as �pocas, tem tudo que n�s podemos imaginar. Mas � um olhar.

Agora, olhar do qu�? Ela possivelmente diante de si tem um muro parecido com o que ela tem atr�s de si. Ela n�o est� olhando para o muro. Os senhores dir�o: "mas ela tem atr�s de si uma cruz de madeira e uns l�rios". Mas a cruz que ela v� e os l�rios sobre os quais ela pensa s�o outr�ssima coisa do que essa cruz e esses l�rios.

N�o acham, por exemplo, que faz bem meditar sobre isso, que eleva a alma? Outra coisa: que descansa. Vamos dizer o seguinte: que � outro mundo.

(Sr. -: O Les Tr�s Riches Heures du Duc de Berry, em certo sentido n�o seria algo? A matriz de flashes para n�s n�o seria uma esp�cie de "Tr�s Riches Heures du Duc de Berry" pessoal que cada um de n�s tem a respeito da realidade externa?)

� isso.

(Sr. -: Quer dizer, � uma esp�cie de composi��o que n�s fazemos da cria��o, mas n�o como ela � concretamente, mas uma coisa completamente idealizada?)
Idealizada, e exatamente essa idealiza��o feita pelos homens, quando � feita em comum sob a inspira��o da Igreja, que constitui uma civiliza��o. Nisso os homens s�o irm�os, nisso eles se imbricam e eles se ligam uns aos outros, etc., etc.

E eu chego at� a �ltima ponta-de-lan�a do neg�cio: ser inteligente n�o � raciocinar muito bem, nem � demonstrar muito bem. � ter o esp�rito pousando nesta atmosfera dos flashes e matrizes de flashes, e ter o esp�rito iluminado por essa atmosfera. Isto � que � ser muito inteligente.

Um esgrimador de racioc�nios... uma intelig�ncia minor. � como a gente chama de possante um caminh�o. Bocherini � muito mais possante do que um caminh�o. Mas o possante do caminh�o � um possante, � possante n�o �? Mas � um possante t�o inferior ao possante do Bocherini, que a gente teria vontade de dizer "por favor, n�o compare".


* O Sr. Dr. Plinio � um venerador da l�gica que passou grande parte de sua vida raciocinando, mas sem ter se limitado a ser somente um raciocinador

Quem est� dizendo isto � um venerador da l�gica, e que tem passado grande parte de sua vida raciocinando. Mas eu me sentiria muito diminu�do se eu fosse racioc�nio apenas. E eu creio que os senhores n�o me reconheceriam em mim mesmo se eu fosse apenas um raciocinador. N�o � verdade isso? Uma parte de nossas almas n�o se encontrava e os senhores ficariam numa esp�cie de orfandade se eu fosse apenas um raciocinador.

H� algo mais do que isso, que ali�s � uma opera��o racional subconsciente por onde a pessoa chega a esse zenith. Mas este � o ponto que a gente deve entender aquela frase de S�o Jo�o, que ali�s Santa Teresinha cita: au soir de cette vie nous serons jug�s selon l'Amour. Mas � o amor do qu�? Da matriz de flashes e do flash.

Quando chegar a noite desta vida, e que � se Nossa Senhora me permitir � eu na hora de morrer fa�a um grande e firme Nome do Padre como fez Santa Teresa, e com o nome de Maria nos l�bios eu pronunciar a �ltima palavra de minha vida, como eu gostaria que a �ltima palavra de minha vida fosse Maria... tudo o que eu disse teria o seu fecho perfeito porque eu disse a palavra que agrada a Deus perfeitamente; a palavra imaculada em que vai todo o meu entusiasmo e minha venera��o teria sido dita.

Nesse momento, meus olhos se fecham e se abre o meu julgamento. A grande pergunta �: "que tens como matriz de flashes dentro da alma?", porque esse � o amor de Deus. E isso � o viver. E eu posso dizer que mesmo no hospital, nas horas mais duras e at� mais prosaicas, as matrizes de flashes, dava para notar que [elas] estavam presentes no meu esp�rito.

(Sr. -: A matriz de flashes n�o � como o flash que � uma coisa tempor�ria. A matriz de flashes � est�vel e est� na... � a c�mara obscura, n�o �?)

Na c�mara obscura, e esta � uma observa��o precios�ssima. A matriz de flashes fica... n�o �? Ali�s, basta olhar para aquela foto de Santa Teresinha. N�o sei se notam a grande estabilidade que tem ali, porque ali tem uma estabilidade do outro mundo! Mas do outro mundo! � de quem tem a alma completamente posta no que ela chamava l'autre rivage, a outra margem, ou l'autre rive. J� � a eternidade, porque tudo isso � eternidade. S�o representa��es que a mentalidade humana faz, para ter melhor id�ia de uma eternidade que � muito parecida com isso, mas � muito diferente disso, e ainda � mais bela do que isso.


* Quando n�s vivermos constantemente em fun��o das matrizes de flashes, teremos atingido inteiramente o ideal para o qual fomos chamados e o conv�vio entre n�s seria perfeito

E aqui, por exemplo, isto com esta gra�a, � uma reuni�o t�pica de Confraternitas Laicalis. Assim, eu imagino a Confraternitas Laicalis: almas completamente unidas no habitar estavelmente as matrizes de flashes. A� se pode dizer quam bonum et quam jucundum est habitare fratres in unum � quanto � bom e alegre os irm�os morarem in unum. Mas o unum � esse.

Os senhores n�o se sentem, por exemplo, muito unidos durante essa conversa? N�o � verdade que haveria uma facilidade para todos perdoarem as ofensas rec�procas de tal maneira que era como se nunca tivessem existido?

Ent�o vem o "heresia branca" fazer digress�o sobre o perd�o das ofensas. Ele n�o entendeu o cume de onde baixa esse perd�o das ofensas, n�o entendeu. A coisa � outra. � uma altura tal que a ofensa fica apagada, nem se fala a respeito dela, � ninharia, � bagatela. E a beleza da Igreja Cat�lica � n�s imaginando um clero pregador das matrizes de flashes. Essa � a beleza da Igreja. Sobretudo da matriz das matrizes de flashes que � Nosso Senhor Jesus Cristo. � s� pensar no Santo Sud�rio, � uma matriz de flash...

Ele todo � super-matriz de flashes. N�o se pode imaginar, n�o se pode conceber, etc., etc., etc. Ele todo. E depois, Ela. Aqui est�.

Por mais incr�vel que seja, quantos "heresia branca" ficariam indignados, mas � verdade, a medita��o sobre o minueto! Mas n�o � verdade? Creio que em muitos lugares um mundo de gente ficaria indignada, mas est� bom: mas � verdade!

Agora, eu n�o ousaria p�r isto numa antena de r�dio, embora eu soubesse que isso ia fazer bem para um canceroso...

(...)

... ent�o, agora imaginem, quando Nossa Senhora proclamar o Reino dEla, as harmonias que se ouvir�o, e as belezas... [inaud�vel]. A� n�s temos no��es, no��es, no��es.

(Sr. -: Para alguns esp�ritos, a leitura de Maria de �greda e de Saint-Simon se fazem numa seq��ncia harm�nica, porque extrai de cada coisa o melhor delas, o melhor da realidade, quando se caminha para um v�rtice, uma vis�o vertical das coisas. Ent�o as coisas se aproximam: Maria de �greda fica perto de Saint-Simon e Saint-Simon fica perto de Maria de �greda. Foi o que se deu aqui: a prop�sito do minueto tirou-se toda uma vis�o religiosa que por sua vez reverte-se para o minueto.)

Isso. E que no fundo n�o � sen�o uma interpreta��o do minueto a fundo.

(Sr. -: Melhor que o minueto.)

Melhor que o minueto. Mais. Eu reputo o seguinte: que o indiv�duo que ouve esse minueto e n�o faz essa interpreta��o, n�o ouviu. � como um analfabeto que olhasse para aquele castelo imagin�rio que aparece numa capa de uma publica��o, e que n�o faz esse racioc�nio que n�s fizemos. � nada.

Querem ver nesse castelo a nota que equivale � agulha de Notre Dame? � esta parte. � o claro obscuro do desenho, sobretudo esta parte central ter sido pintada mais obscura. A� � onde tudo o que o castelo tem de imponder�vel aparece.

(Sr. -: � uma capela, uma esp�cie de Sainte Chapelle.)

Vejam que maravilha! A capela flanqueada por duas torres. Somos ou n�o somos n�s por inteiro? N�s n�o compreendemos a torre sem a capela, mas tamb�m n�o compreendemos a capela sem a torre.

Bem, � isso que querem destruir. Querem pegar o �ltimo fogacho disso que h� no mundo e querem destruir, mas destruir � la eles, com todas as inf�mias poss�veis.


* Procura-se atualmente impedir, durante toda a vida de algumas pessoas, que elas tenham matrizes de flashes nas almas

A vida inteira, hoje, em algumas fam�lias, desde que a crian�a nasce at� a hora em que ele morre h� uma conspira��o para que ele n�o seja assim, ele n�o tenha essas matrizes de flashes na alma. E, no fundo, a Cath�drale engloutie [ileg�vel] a matriz de flashes sepultada sob as �guas do olvido e de mil outras coisas.

(Sr. -: � o �ltimo fogacho, mas esse �ltimo fogacho tem uma intensidade de fogo extraordin�rio, porque tudo se reuniu a�. Ent�o a gente v� a beleza do elemento hist�rico, porque recolhe tudo isso. E aquela imagem que vimos outro dia da pessoa que visse a estrela de Versailles, ela tamb�m recolhia o melhor do que se tinha se passado. Agora, Nossa Senhora recolhe todos Versailles, etc., e nos convida a subir, porque para recolher com Ela n�s devemos subir alto, porque n�s s� recolheremos verdadeiramente se n�s pusermos nesse plano a que Ela nos convida. E nesse resto, ou se recolhe isso, ou n�o tem significado. A exist�ncia do resto � isso.)

(Sr. -: Numa reuni�o passada o senhor teria dito que para entender bem a Nossa Senhora, era preciso entender bem o �dio que os maus tem a Ela. E sem isso n�o se entenderia a Ela. Agora, � imposs�vel entender esse �dio sem entender isto.)

� imposs�vel. Esse �dio seria inintelig�vel. N�o � sequer poss�vel senti-lo sem entender isto. Quer dizer, ningu�m entende esse �dio se n�o tiver entendido o que foi dito.





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